Vestidos Flora fora do verão: a gaze e as flores 3D no outono
29/10/2026
A coleção Flora foi concebida a pensar em noites de verão, mas em terracota ou verde caqui funcio...
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Alguém chega com a foto de uma personagem e diz-me literalmente: 'quero ser essa pessoa por uma noite.' Conto-te como trabalho uma fantasia a partir de uma imagem.
No atelier, outubro traz um tipo de encomenda diferente de qualquer outro: alguém chega com uma fotografia de uma personagem (de um filme, de uma série, alguém famoso) e pede-me, literalmente, «quero ser esta pessoa por uma noite».
Coser bem não basta: é preciso ler uma imagem e traduzi-la em molde, tecido e cor até que a semelhança realmente funcione. Por vezes, a pessoa que vem fazer o pedido nem sequer sabe explicar exatamente o que torna essa personagem reconhecível, e parte do meu trabalho, antes de pegar no tecido, é descobri-lo por ela.
Começo por analisar a imagem ao pormenor (corte, cor, texturas, acessórios) e separar o que pode realmente ser reproduzido em tecido do que se pode resolver com acessórios. Depois, proponho o tecido que mais se aproxima do efeito visual do original, mesmo que não seja literalmente o mesmo material.
Nessa primeira leitura, observo aspetos que passam despercebidos à primeira vista: o caimento de um tecido (se cai direito, se esvoaça, se abraça o corpo), o nível de brilho, se há costuras visíveis que fazem parte da identidade da personagem, ou se a cor que vemos no ecrã é realmente a do tecido ou apenas um efeito da iluminação das filmagens. Essa distinção é mais importante do que parece: muitas vezes, pedem-me um tom que na fotografia parece quase preto e que, na realidade, sob luz natural, é azul muito escuro. Reproduzir literalmente o preto do ecrã, nesse caso, seria um erro.
Também faço um esboço próprio do molde antes de começar a cortar tecido, quase como se estivesse a desenhar a personagem de novo, mas a pensar em costuras, pinças e aberturas. Esse passo de tradução, da imagem para o molde, é, para mim, a parte mais criativa de todo o processo e também a que marca a diferença entre um disfarce que apenas se parece e um que realmente convence.
Quanto mais detalhada for a fotografia de referência (vários ângulos, boa resolução, pormenores de perto), mais fiel poderá ser o resultado final. Uma única imagem desfocada deixa muito à interpretação. Se conseguires imagens de diferentes momentos, com outra luz ou de ângulos distintos, melhor ainda: cada imagem acrescenta informação que a anterior não tinha.

Do esboço à peça, para personagens, espetáculos e eventos.
Nem tudo tem de ser confecionado de raiz. Por vezes, um acessório bem escolhido (um cinto, uma capa, uma peça metálica) torna a personagem mais reconhecível do que reproduzir toda a roupa em tecido e permite concentrar o orçamento e o tempo na parte que realmente distingue o disfarce.
Aprendi a identificar o que chamo o «elemento âncora» de uma personagem: aquele detalhe concreto que, se faltar, impede que seja reconhecida, mesmo que o resto do conjunto esteja perfeito. Por vezes, é um colarinho muito característico, noutras uma cor muito específica num único acessório ou até uma forma de silhueta conseguida com uma só peça estrutural por baixo da roupa. Identificar esse elemento âncora no início do processo permite-me decidir onde investir realmente o trabalho de confeção e onde basta um bom acessório.
«O objetivo não é copiar uma fotografia. É que, ao ver-te, as pessoas reconheçam a personagem de imediato.»
Muitos tecidos vistos em filmes ou séries são difíceis ou caros de conseguir tal como são, pelo que parte do meu trabalho é encontrar o equivalente que dê o mesmo efeito visual em fotografias ou sob luz de festa. Um brilho metálico pode conseguir-se com um tecido lamé em vez de metal verdadeiro; uma textura de couro pesado resolve-se, por vezes, melhor com um tecido técnico semelhante, mais confortável para usar uma noite inteira. O importante é que o efeito funcione à distância e com a luz em que o disfarce será realmente visto, não apenas de perto e em plena luz do dia.
Com o tempo, aprendi a pensar quase como uma diretora de fotografia: um tecido mate absorve a luz do flash e pode parecer apagado nas fotografias, enquanto um com um mínimo de brilho devolve alguma dessa luz e valoriza o conjunto em qualquer imagem. Por isso, quando o disfarce é pensado para uma festa com pouca luz ambiente e muitos flashes de telemóvel, costumo preferir tecidos com algum corpo e brilho, mesmo que o original no ecrã seja completamente mate.
Outro fator que tenho muito presente é o peso do tecido. Um disfarce bonito, mas pesado, faz-se sentir ao dançar, sentar ou entrar num carro. Sempre que posso, procuro tecidos que reproduzam o volume ou a estrutura do original sem colocar tanto peso nos ombros ou na cintura de quem o usa.
Ao contrário de outras peças, os disfarces têm uma data que não pode ser alterada, pelo que recomendo encomendá-los com várias semanas de antecedência, sobretudo se o modelo incluir detalhes elaborados ou acessórios à medida. A data do evento marca o limite: é preciso confirmar o que pode ser preparado e experimentado dentro desse prazo.
Por isso, quando alguém me traz uma fotografia com bastante tempo, agradeço sempre a possibilidade de fazer pelo menos uma prova intermédia, não apenas a final, porque é nessa prova que se detetam os pequenos ajustes que marcam a diferença entre um disfarce correto e um que realmente convence ao entrar pela porta.
Se tens uma personagem em mente e queres transformá-la num disfarce, podes contactar o Atelier Yvicor e enviar-me a fotografia que tens em mente.
A tua personagem, traduzida numa peça que possas usar
Envia-nos referências de frente e de costas, a data e as peças que já tens. Avaliamos a confeção à medida do disfarce e os detalhes a que convém dar prioridade.
Quanto mais referências, melhor: vários ângulos, boa resolução e pormenores de perto ajudam muito a tornar o resultado final fiel ao original.
Nem sempre de forma literal, mas quase sempre existe um tecido equivalente que produz o mesmo efeito visual, sobretudo se pensarmos em como o disfarce ficará sob a luz da festa.
Várias semanas, sobretudo se o desenho incluir pormenores elaborados ou acessórios feitos à medida; a data em que precisas do disfarce não pode ser adiada.
Depende da personagem: por vezes, um único acessório bem escolhido torna-a mais reconhecível do que reproduzir toda a roupa e permite dedicar o tempo ao que faz realmente a diferença.
«Um bom disfarce não parece um disfarce. Parece que és tu, a ser outra pessoa por uma noite.»
— Patricia Rojas
Costura por medida
Cada peça é confecionada para se adaptar ao seu corpo e estilo, com materiais selecionados e acabamentos de alta qualidade.
Ajustes especiais
Damos uma nova vida às suas peças favoritas: ajustes, alterações de tamanho, modernizações e reparações realizadas com cuidado e precisão.
Atendimento personalizado
Antes da confeção, acordamos consigo o design, as provas e os acabamentos.
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